domingo, 28 de dezembro de 2008

Coisas a ter em conta em 2009


Caros amigos,


enquanto vou dar uma voltinha, lembrei-me de vos deixar algo diferente. A minha amiga Patrícia enviou-me estas pérolas do conhecimento moderno. Tinha de partilhar convosco. Desculpem-me a ausência, mas como vou ficar de castigo outra semanita, andei a vingar-me na aldeia...a colar-me ao fogão de lenha e a apanhar duas horas de sol quando ele aparecia (com chapéuzinho na cabeça, sim Tia Branca). Eu cá vou ás Ifos e Mesna. Nham, nham, tão boooooom!!! Pelas vezes que vou enjoar e fazer xixi, espero bem que este "mafu" mate o bolor, ai espero, espero.


Na minha ausência, peço o que me é costume pedir, divirtam-se e riam. Muitos beijinhos e abraços a gosto. Podem começar a partir de ...agora:

Quem ri por último......é de compreensão lenta.
Os últimos são sempre........desclassificados.
Quem o feio ama........tem que ir ao oculista.
Deitar cedo e cedo erguer......dá muito sono!
Filho de peixe ......é tão feio como o pai.
Quem não arrisca......não se lixa.
O pior cego......é o que não quer cão nem bengala.
Quem dá aos pobres......fica mais teso.
Há males que vêm......e ficam.
Gato escaldado......geralmente está morto.
Mais vale tarde......que muito mais tarde.
Cada macaco......com a sua macaca.
Águas passadas......já passaram.
Depois da tempestade......vem a gripe.

Vale mais um pássaro na mão...... que uma cagadela na cabeça.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Feliz Natal 2008


Mais um Natal estranho. Egoisticamente falando, há 3 anos a novidade era o enfarte do pai, há 2 o diagnóstico de cancro, há um a recaída... este será a semana anterior a novo tratamento com ifosmamida "bem servida".

Vendo a coisa pelo lado mais aparavalhado possível, acho que vai ser a primeira passagem de ano em que "vou estar sob o efeito de drogas". Lindo, anda um pai a criar uma filha para isto!


Falando agora como gosto: divirtam-se bué, comam coisinhas que sabem bem com moderação, cuidados com as correntes de ar emuitos pensamentos positivos a puxar para o Ano Novo, que seja melhor para todos nós colegas de doença parva e teimosa, e para todos os que nos cuidam e aturam , desejo toda a pachorra do mundo.


E agora vou, que isto está a ficar lamechas e não quero entupir o nariz.

Grande beijo a todos, mas em especial á Tia Branca, ao Bro, á Careca Loira, á Mrs Sea, ao André, á Paula, á Raquel, á Xana, á Claudinha e...pois.


Beijo beijo beijo

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Depois de pensar muito...


Depois de pensar muito, e não apontar as conclusões a que cheguei...dei comigo reduzida a coisas simples (até porque o neurónio está cansado das directas do internamento).


Redefini a minha visão de precaridade e noção de prioridade, ao ver e ouvir atentamente o clip em...




São Os Contemporâneos. Quem tem pelo menos 35 anos lembra-se das campanhas natalícias que pretendiam apelar a algo grandioso. Esta é tal-qual. É campanha, é apelativa, é algo grandioso...pena que quase me tenha feito chorar no fim. Lembrou-me os dias em que eu acreditava que um dia faria algo pelo equilíbrio e pela justiça no mundo, os meus sonhos de adolescente, como no poema da minha querida Tia Branca. Se calhar, Deus existe e escreve mesmo direito por linhas tortas. Eu não teria sabido educar os filhos (se os tivesse tido) para viverem nesta selva. Ah, mas que dá para rir dá...senão nem vos dava o link, ok? É uma moca, a sério!!!


A outra parte é que acho que esta semana posso deixar aqui um pequeno palavrão. Pensei no que gostava que os meus amigos recebessem, não no Natal, mas ....digamos, esta semana, claro, e na próxima pedimos mais qualquer coisinha. Pensei pensei pensei e tropecei na imagem alegremente partilhada na internet. Imprimam, recortem e coloquem na carteira, na pala do carro, num crachá e partilhem com os amigos. Digo-vos mesmo, e agora já recuperei das alucinações das ifosfamidas... é mesmo o que se segue.


Muitos, mas muitos beijinhos


segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Here I go again!

Bem... vou dar-vos uns dias de folga aqui dos meus disparates. Hoje, em véspera de mais um regresso à quimio, tive de recorrer ás urgências. Tive dores muito fortes no ombro de novo. tal como desconfiava, tenho lá umas bolitas de células parvas (o que poderá dar direito a mais uma festa da anestesia). O Tramal ajuda pouquinho, mas amanhã já vou ao meu "concessionário".
Depois de uma noite em claro e de dores, só passei aqui para vos deixar um beijinho e pedir-vos que tenham paciência com a minha ausência. Prometo que volto. A imagem equivale ás dores, eh eh. Vou aterrar ali no sofá e esperar, que é o melhor que consigo fazer agora.

Muitos beijinhos Tia Branca, Careca Loira e Mrs Sea. E aos senhores simpáticos que por aqui passam (espero que o André esteja a melhorar, a melhorar). Hoje não dou mais que isto.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Peças novas


Olá, hoje acabou por ser um dia de balanço vantajoso: voltei a ter o número certo de peças.

Pulmão a menos, torneira a mais. Ganhei de presente um catéter totalmente implantável, que vai facilitar a todos a nova rodada que aí vem.


Fora isso...vou comer torradas e deixar de pensar em trabalho, que amanhã é sábado. Depois penso no dia em que for tirar "os cordéis".
Sugestão de fim de semana: encontrem um lugar de nome "Pia do Urso" perto de Ourém. Desculpem a escassez de informações, mas estou coxa do braço direito hoje. Fica para outro dia.


Muitos beijinhos aos passantes e ás amigas Tia Branca, Mrs Sea e Carecaloira.

Claro que a muitas outras pessoas também.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A sentença

Pois...podia ter sido melhor, e também podia ter sido pior.
Dois nódulos no pulmão que sobra, e lembraram-se de duplicar de tamanho em cinco meses. Resultado: mais doxorrubicina e ifosfamida, um bocadinho mais forte e com um outro nome esquisito que não fixei. Acho que nem quero pensar muito nisso.
Tenho quarto reservado no spa para 5 dias em Dezembro, para começar.
Até lá...pois vou tentar não faltar á formação que comecei a dar em finais de Outubro. Estava a gostar de voltar a trabalhar, e dava-me "jeito".
Paciência, hoje estou com a neura, não liguem, amanhã deve melhorar.

Muitos beijos a quem cá passa, parece que nunca mais consigo meter aqui um texto para rir ou para pasmar pela estupidez. Desculpe Tia Branca, Amiga Careca Loira e Amiga Mrs Sea. Vou tentar trazer coisas melhores.
Este blog não tinha esta intenção. Quando o criei também não sabia o que me esperava.

Alguém sabe onde posso partir louça grátis?

domingo, 9 de novembro de 2008

Gostava de ter dias maiores por vezes...


Isto anda um pouco baralhado por estes lados. De repente trabalhar 4 manhãs parece algo interminável. E até pode ser, quando se trabalha na formação...há que produzir materiais, ter ideias luminosas e ser inteligente, além de gerir bem o tempo. Pois...contudo, só tenho sono. Mas vou conseguindo cumprir com as minhas obrigações(-zitas).


A minha amiga que foi operada ao peito está a recuperar bem, agora em casa. Vai tirar os pontos esta semana. E está remetida ao calorzinho do lar, ao pc, à net e ao telemóvel. E assim faz bem em estar, pois agora a recuperação é o mais importante. Ela não é visitadora de blogues, e não sei se virá a ser, mas eu vou-lhe transmitindo a força que por aqui anda.


Esta semana saberei qual a minha sentença do ipo para os próximos tempos.

Se não fosse pedir muito, gostava de umas férias, só para trabalhar um pouco e engordar menos, ok Deus?

Obrigada.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O rosa desta vez brilha mais


A minha amiga foi operada na passada segunda-feira. Correu bem, acordou bem disposta e lá voltou a adormecer sob o efeito dos morfinóides.


Já a visitei, mas o ritmo dois dias depois ainda era ditado pelos analgésicos, antibióticos e anti-inflamatórios. A comida pairava levemente no estômago e por vezes, cheia de marotice, lá vem de corrida boca fora.




A minha amiga livrou-se agora do seu bicharoco. Tem pela frente a luta da fisioterapia, do tratamento, da recuperação física e psicológica. Uma vontade de voltar a trabalhar, de se mexer, mesmo quando diz "falta-me aqui um peso deste lado", e sorri.




Tenho uma amiga muito forte, e ainda bem que é teimosa. E vai ganhar a guerra.

sábado, 11 de outubro de 2008

“Pois…olha, chegou a minha vez.”



Na passada quarta-feira a minha amiga ligou-me a uma hora que eu não esperava, supostamente ela estaria a trabalhar. Mas não estava. Tinha vindo a correr do sul do país para uma consulta urgente no hospital. Tinha feito uma biópsia por agulha ao peito direito. O resultado era aquele que ninguém queria ouvir: maligno.

A minha amiga acompanhou o meu trajecto nestas coisas de “cancro e companhia” desde o início, que para mim foi em Outubro de 2006. Há um ano atrás, conversei com ela que tinha notado um caroço no meu ombro (a minha recaída). Ela tinha encontrado “qualquer coisita no peito” e ia a uma consulta. Eu fui andando por nova ronda de exames e novas instruções, e avancei para cirurgia e quimio. A minha amiga também foi fazendo exames, mas nada se via, nada era motivo de preocupação, eram “placas”…mas as placas foram crescendo.
Acompanhou os meus acessos de raiva e choro, depois a minha calma, as minhas piadas, os meus enjoos, foi-me visitando em minha casa, em casa dos meus pais… e íamos trocando informações. Foi colocada este ano na 2ª cíclica, estava felicíssima. Tem 30 anos feitos este verão.
Esta sexta-feira passei o dia com ela, pois ia fazer uma PET, o que acaba por ser uma longa seca. Insisti em ir com ela, dado que a família vai ter muito que ajudar noutros dias mais difíceis. Eu, como já fiz 3 daquelas… acampei na sala de espera com um livro, garrafa de água e bolachas em que não consegui tocar. Tudo se atrasou por causa do produto de contraste que chegou mais tarde. Acabei na conversa com uma filha e uma mãe, ambas esperando também por notícias boas dentro de uma realidade que já começa a não correr bem. Claro que encontrámos muito motivo de conversa.
A minha amiga saiu do exame com boa cara, à primeira vista parece estar localizado. Saiu cheia de gás e fome, e lá fomos nós almoçar quase à hora do lanche.

A minha amiga em início de guerra, e eu já depois de duas batalhas. Duas raparigas a passear pela rua, apanhando ar, como se fôssemos ás compras. Na próxima semana saberá algo mais. Com a minha guerra eu vou aguentando, mas a minha amiga não merece isto, é nova demais, tem muito a fazer, mas é forte e vai continuar a ser.

“Já viste a nossa vida? Olha que duas, caramba”, disse-me por cima do prato do almoço, e sorriu.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008



My Prrrrrrreeecious!

Não era minha intenção copiar o look, mas aconteceu. Até tem as suas vantagens, a não ser que esteja uma corrente de ar frio que acerta na nuca.

Está a crescer...a penugem. Não quero que mais nada cresça!

Dia 4 de Novembro vou tirar novas "fotos" (tac). Espero que os meus nódulos do pulmão que sobra estejam quietinhos ou tenham ido de férias! Depois é esperar até dia 13 para ver o meu Doutor-de-nome-abençoado.

Amanhã espero conseguir entrevista para dar umas horitas de formação, mas parece que essa realidade ficou a anos-luz, parece que esqueci tudo, mas não. Dava muito jeito, não entra vencimento desde Fevereiro e as poupanças não duram sempre, nem os meus pais.

Ah, não se esqueçam, desde que o médico-treinador deixe...vacina contra a gripe! Vou tratar disso esta semana, espero.

Desejem-me sorte.

Por cá fico a torcer por todos vós, bloguistas da Catedral e Salvador. E em especial pelo Bro da Mrs Sea, que vai dar cabo do caruncho!!!

Jinhos e abraços a gosto

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ando po cá...ainda hi hi


Olá, olá


Realmente eu e as obrigações...temos uma relação estranha. Gosto de as ter, mas não gosto que elas me detenham.

Continuo bem, pelo menos que eu saiba. Só me atrapalham os 10 kgs que ganhei grátis desde que comecei nas aventuras hospitalares em Novembro de 2006.


Fui ás escondidas a um supermercado, hoje que os meus pais foram tratar de uns assuntos deles fora da cidade. Esqueci-me que não devia pegar nos sacos, esqueci-me de usar o carrinho. Fiquei contente por fazer tudo rápido, como era costume. Aproveitei e levei só guloseimas, excepção ao leite. Já que os meus pais me fazem tudo, posso ficar eu com a responsabilidade de introduzir alimentos menos saudáveis em casa, certo?


Estão a ver? Parece que só sei queixar-me, que existência esquisita. Um dia destes tenho de vos contar algo de jeito, que dê para rir.


Agora vou imprimir mais uns CVs para enviar por correio, apesar da maioria ser por mail. Modernices. Eu queria mesmo era trabalhar, ok, devagarito, mas ando a passar-me de ficar em casa há meses!


Que mais ia eu escrever? Ah... beijinhos e abraços a gosto

terça-feira, 29 de julho de 2008

As parvas


Tenho de desabafar isto convosco...

Sei que já desabafei isto com as amigas (as amigas a sério). Há pessoas que caíram numa categoria que eu desconhecia. Concluí que conhecia várias pessoas estranhas, ou melhor, daquelas que tiveram reacções pouco esperadas.
Por exemplo:
1- Tive uma amiga de infância, e colega de escola por largos anos, que por virtudes da vida moderna deixei de ter por perto. Com correrias para um lado e para o outro, os telefonemas escasseavam. Deve ter ficado zangada comigo por não aparecer nas festas pipi que inventava, mas incrivelmente eu tinha sempre coisas mais úteis para fazer. A sério. Não me disse nada quando o seu pai faleceu, um senhor que eu conhecia e que me tinha visto nascer. Passaram uns meses e então mandou-me um mail. Eu tinha afinal cometido um erro mortal e fatal: não atendi o seu telefonema uma tarde que me ligou, pois ia a conduzir. Escrevi-lhe, mas não me respondia. Quando me lembrava de lhe ligar, eram horas de tratar da bebé, então optava por não interromper. O meu horário era de rapariga solteira. Quando ela me deu troco, informei-a do que se passava com o meu pai, que tivera um enfarte, fora operado, e meses depois eu própria soubera que tinha um pulmão avariado. Ficou chocada. Penso que não entendeu o que lhe expliquei, tudo muito simples e direitinho. Foi há um ano e meio. Não voltou a querer saber da amiga de infância. Se calhar tenho de a despedir de “minha amiga”.
2- A que merecia receber o 1º prémio da falta de tacto. Ora, sou sujeita a uma pneumectomia, ou seja, abrem-me o lado esquerdo tipo cabrito, afastam as costelas e tiram-me o pulmão avariado. Voltam a colocar costelas no sítio e ganho várias camadas de músculos cosidas, sendo que a camada exterior mostra mais de 40 agrafos. Depois de dolorosa ginástica respiratória e quase incapacidade de mexer o braço esquerdo, volto ao trabalho um mês depois. Não podia perder o contrato de formadora que tinha assinado. Uma formadora da mesma casa vira-se um dia para mim e diz-me: “Levas-me a minha pasta para a sala de professores?” Eu levava a minha pasta, o livro de ponto, a carteira, um saco com o meu leitor de cd, dado que a escola não os providenciava nas respectivas salas de aula, tinham passado dois meses e meio desde a minha operação, tinha descido um piso pelas escadas, atravessava o pátio e tinha de subir outro piso do outro lado…? Eu em equilíbrio precário, falta de tacto (para não lhe chamar grandessíssima…qualquer-coisa) e nem um por favor? Ah, o objectivo era a moça ir tomar um cafezito.

Sim, sei que tenho mau feitio. Estas duas situações são perfeitamente normais, eu careço de suficiente inteligência para as entender. Isto de ser portador de doença crónica incapacitante em Portugal não é fácil. As duas criaturas em questão frequentaram e concluíram o ensino superior, umas delas foi educada por pais com esse mesmo nível de ensino. Ambas têm filhos. Espero que os eduquem bem. Pelo menos nessa parte EU não terei oportunidade de falhar.

Por fim (ou por enquanto) livre!

Parece que estou livre, pelo menos por uns tempos, de fazer aquela quimioterapia pesadita que comecei em Março. Foram seis ciclos de ifosfamida, doxorrubicina e mesna. Nomes lindos que preferia nunca ter conhecido. Nomes, contudo, de químicos que me impediram de morrer até agora. Ter cancro não é como ter uma gripe. A propósito desta última, vamos ao médico e ele diz-nos quantos dias o medicamento “Y” demora a dar resultado, e se aquele não der, há o outro, mas dá. Na oncologia, é preciso ter estômago para ser doente e médico. O doente, porque sabendo o que tem, por vezes só quer o colo, quer acordar daquele pesadelo, quer desligar aquele dvd e mudar de história e não pode. O médico, omite a informação pior, tem esperança que determinado cocktail resulte em determinado doente, espera que o próprio doente resista bem e se empenhe, espera…que resulte.
Tenho 37 anos, sou solteira. Gostava de ter tido três filhos, todos rapazes. Não tive nenhum. Se calhar, ainda bem. Tinha sido complicado ter 3 crianças ou jovens a passar por tudo isto. Já chega ver os meus pais a rodopiar numa realidade tão crua de ver a única filha ter um sarcoma sinovial, perder um pulmão, ter uma recidiva, ser operada ao ombro direito, ter de deixar de trabalhar e consequentemente perder o emprego que vivia pendurado no ténue e aldrabão fio do recibo verde.
Que quantidade louca de más opções eu fiz na minha vida.
Talvez exista mesmo um equilíbrio no Universo, só não entendo porque tenho de passar por estas provas todas. Já não vou ser mãe, seria muito arriscado, poderia ter uma gravidez complicadíssima: anóxia do feto, extremo cansaço meu, o próprio processo de multiplicação de células poderia propiciar a multiplicação das que não me interessam, poderia não viver o suficiente para ver o meu filho crescer…
Sou da opinião que cada coisa tem o seu tempo. O pai que gostaria de ter tido para os meus filhos na casa dos vinte anos…deixei-o ir. Optei por fazer a vontade alheia, em vez de perseguir a minha escolha e a dele. Era um homem lindo, correcto, normal… Eu não soube guardar espaço para ele, mais uma vez escolhi mal. O meu moreno e os seus comboios!
Mas ele é feliz. Fez a sua vida, teve filhos. É justo o mundo, se o desprezas, ele acabará por te desprezar a ti.
Se chegar a Janeiro e fizer 38 anos, vai ser um dia só, não vai ser um aniversário. Deixou de ser desde que fiz a pneumectomia.

Aqueles textos que andam pelo blog, de fantasmas, cartas e anjos, são os meus pensamentos feitos ficção. Há muitos mais, que tenho em casa, no portátil…tive coragem de os rever hoje. Vou reler com atenção, são estranhos como eu, são flashes de pensamentos postos na escrita, são cartas entre um grupo de pessoas que nos mostram uma pessoa que todas as personagens conhecem. Só através das cartas de terceiros é possível conhecer a protagonista…mas é mesmo assim que sabemos quem somos, não é? Sei quem sou em relação aos outros e sei quem sou pelo espaço que ocupo na realidade que eu julgo existir.

Garanto-vos que, quando a nossa vida depende de um líquido que pinga para o nosso organismo, tudo deixa de ter a medida que tinha antes.

domingo, 15 de junho de 2008



Em virtude de ter investido sempre com meios próprios no meu pseudo "futuro" padeço ainda de falta de subsídio para tudo. Fui considerada pessoa normal, trabalhava e pagava impostos. As ajudas que tenho são dos pais e amigos. Tenho alguma família que por vezes pergunta como estou. Tenho bons amigos, graças a...eles e a mim.

Estou a equacionar enveredar pelo mundo do crime, mas a gasolina está cara e o meu carro é de baixa cilindrada. Não posso com caixas atm por causa das duas operações que me afectaram a mobilidade dos braços. Talvez pedir na rua? Tenho alergias. Resta-me continuar a pagar a segurança social enquanto tiver poupanças, não vão eles achar que sou bom alvo para penhoras. Se souberem onde posso trabalhar e ser doente crónica ao mesmo tempo, aceito sugestões. A sério que aceito. Só peço desculpa por ter estudado, e de não gostar de apanhar pancada, nem aturar bebedeiras.

Beijufas

domingo, 25 de maio de 2008

video

Eles não sabem no que se meteram, nasceram sem pedir, espero que aproveitem. Conto dar notícias mais amiúde.

Por agora estou imensamente danada com o aumento dos preços do combustível. Já não chega estar sem trabalho, sem subsídio, sem baixa médica, com cancro e ainda me sobem a gasolina? Ok, percebi, não saio de casa para evitar doenças talvez...

Bah, volto quando estiver bem disposta (...e quando será isso?) Ainda escrevo um livro, ah ah ah.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008


Continuo sem fé.
Continuo com a minha cruz.
Porque será que as pessoas já não importam? Porque corremos atrás de tudo e de ninguém?
Pareço parva a escrever isto. Não me ocorre nada melhor. Quero gritar, mas não sei com quem, com que voz ou o quê.
Só quero que o Deus distraído me ouça gritar de raiva por ter esta doença tão estúpida. Quanto tempo me resta? O que faço com isso?
Ah... já sei, sorrio para todos os que me rodeiam e não sabem o que me dizer. Pelo menos eles ficam em paz.
Eu? Acho que não vou ficar.