terça-feira, 29 de julho de 2008

As parvas


Tenho de desabafar isto convosco...

Sei que já desabafei isto com as amigas (as amigas a sério). Há pessoas que caíram numa categoria que eu desconhecia. Concluí que conhecia várias pessoas estranhas, ou melhor, daquelas que tiveram reacções pouco esperadas.
Por exemplo:
1- Tive uma amiga de infância, e colega de escola por largos anos, que por virtudes da vida moderna deixei de ter por perto. Com correrias para um lado e para o outro, os telefonemas escasseavam. Deve ter ficado zangada comigo por não aparecer nas festas pipi que inventava, mas incrivelmente eu tinha sempre coisas mais úteis para fazer. A sério. Não me disse nada quando o seu pai faleceu, um senhor que eu conhecia e que me tinha visto nascer. Passaram uns meses e então mandou-me um mail. Eu tinha afinal cometido um erro mortal e fatal: não atendi o seu telefonema uma tarde que me ligou, pois ia a conduzir. Escrevi-lhe, mas não me respondia. Quando me lembrava de lhe ligar, eram horas de tratar da bebé, então optava por não interromper. O meu horário era de rapariga solteira. Quando ela me deu troco, informei-a do que se passava com o meu pai, que tivera um enfarte, fora operado, e meses depois eu própria soubera que tinha um pulmão avariado. Ficou chocada. Penso que não entendeu o que lhe expliquei, tudo muito simples e direitinho. Foi há um ano e meio. Não voltou a querer saber da amiga de infância. Se calhar tenho de a despedir de “minha amiga”.
2- A que merecia receber o 1º prémio da falta de tacto. Ora, sou sujeita a uma pneumectomia, ou seja, abrem-me o lado esquerdo tipo cabrito, afastam as costelas e tiram-me o pulmão avariado. Voltam a colocar costelas no sítio e ganho várias camadas de músculos cosidas, sendo que a camada exterior mostra mais de 40 agrafos. Depois de dolorosa ginástica respiratória e quase incapacidade de mexer o braço esquerdo, volto ao trabalho um mês depois. Não podia perder o contrato de formadora que tinha assinado. Uma formadora da mesma casa vira-se um dia para mim e diz-me: “Levas-me a minha pasta para a sala de professores?” Eu levava a minha pasta, o livro de ponto, a carteira, um saco com o meu leitor de cd, dado que a escola não os providenciava nas respectivas salas de aula, tinham passado dois meses e meio desde a minha operação, tinha descido um piso pelas escadas, atravessava o pátio e tinha de subir outro piso do outro lado…? Eu em equilíbrio precário, falta de tacto (para não lhe chamar grandessíssima…qualquer-coisa) e nem um por favor? Ah, o objectivo era a moça ir tomar um cafezito.

Sim, sei que tenho mau feitio. Estas duas situações são perfeitamente normais, eu careço de suficiente inteligência para as entender. Isto de ser portador de doença crónica incapacitante em Portugal não é fácil. As duas criaturas em questão frequentaram e concluíram o ensino superior, umas delas foi educada por pais com esse mesmo nível de ensino. Ambas têm filhos. Espero que os eduquem bem. Pelo menos nessa parte EU não terei oportunidade de falhar.

2 comentários:

sofia disse...

Boas
Por vezes é assim a vida,contamos com algumas pessoas e na realidade já passou o prazo...
gostei de a lêr,desejo que recupere o mais breve possivel,fique bem.

Sofia.

paula simoes disse...

olá Sandra

amigas assim não precisa de ter inimigos
quando a Sandra mais precisou essa sua "amiga"viro-lhe as costas

já não escreve á muito tempo porquê
está tudo bem com a Sandra espero que si
que tenha uma boa semana
eu também sou de Coimbra, a Sandra é de zona

beijinhos do tamanho do Mundo