quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A sentença


(Salvador Dali)

Sentido em 07 Outubro de 2009





A sentença



Voltei afinal a ser quem devia ter sido sem saber.

O castigo veio torrencial, relâmpago, raio,

Qual sentença por querer morar como queria.



Agora, cheia de falhas arrasto o meu ser

Disforme e oco de sonhos.

Sem membros, que não operam;

Sem alma de tão agnóstica que existo;

Sem fé de tão céptica e rebelde quis viver.

Sempre o Não,

Sempre o Porquê

De albergar tal mal, tal cancro,

Porquê? Porque sim, não é?





Passa-me pela cabeça por vezes, quando estou mais cansada de não fazer nada, de ter perdido parte de mim e da minha identidade. Mas depois lembro-me de vos vir aqui deixar estas maluqueiras. Acho que vou ali comer um docinho, e deixar uns arrepios de açucar a todos os que me visitam e dizem ou não. Vamos lá a arrebitar, por favor. Estas doideiras escrevem-se e ficam escritas. Depois damos um passo (os meus custam muito, mas darei), por quem está connosco e se lembra de dar carinho.



Os que estão perto nem sempre, ou quase nunca, são assim!





Beijos para quem ainda me consegue ler, sim?





***

9 comentários:

Brancamar disse...

Querida Angelito, siempre consegui ler tus Aventutas, tu sabes disso.
Como te fui descobrindo nos "Textos Intratáveis", como lhes chamavas e agora que me trouxeste este "louco" Dali que adoro e estas doces, embora tristes palavras que também adoro, apesar de tudo, porque me trazem a Susana que és, o teu cepticismo, mais que fundamentado, mas também já uma vez te disse que abras a alma, que confies, que te dês todas as oportunidades de ser feliz, sobretudo abre a alma àquele(s) a quem fechaste a oportunidade de sofrerem contigo. A dor e o amor partilhados são mais suaves e são-no para toda a vida.
Ao quereres evitar o sofrimento de quem quer que seja que te ame, vais também um dia deixar que essas pessoas fiquem com uma dor maior por não te poderem acompanhar.
Desculpa se te magoo com estas palavras, mas nós que estamos aqui longe e te amamos também e tu sabes desde quando te acompanho, não somos melhores que os que estão perto, talvez apenas não o saibam dizer da mesma maneira.

Eu sei que o texto que tens aqui é apenas um momento, mas não existem castigos, não existem divindades tão más quanto isso e nem tu alguma vez o merecerias, mas a vida é como é, simplesmente. Quando somos novos achamos todos que a dominamos, no nosso percurso acabamos por aprender que há momentos e circunstâncias que nos ultrapassam, no entanto a nossa força, a nossa fé, mesmo que seja em nós mesmos tem sempre uma palavra a acrescentar às circunstâncias e todos nós perguntamos esse porquê perante as advrsidades, porquê eu?
Essa pergunta nunca tem resposta...tenho uma amiga que passou a perguntar: porque não eu?
E lutou, e venceu.
Pensa sempre com esta esperança e não te dês ao trabalho de ouvires as vozes da desgraça, vive cada momento, com esperança.

Obrigada pelo teu beijinho, este e todos os outros, pelas notícias que vais dando e pelos arrepios de açucar...que bom, já levo a sobremesa porque ainda vou jantar.
Até já.

Abraço apertadinho, coração com coração e mil beijinhos.
Tia Branca

manuela baptista disse...

Susana

Os que estão perto, são muitas vezes os mais desajeitados e os que pior lidam com os sentimentos e emoções.
Devendo cuidar, são os que precisam de ser cuidados.

É muito díficil ser pequeno, não é?
Mas são as crianças os perguntadores natos!
Mesmo quando já sabem as respostas continuam a perguntar, porque precisam de sossegar o coração com as nossas respostas.

Interrogue-se sempre, arrebite a seguir e mesmo arrepiada ofereça os seus doces, que eu aceito, mesmo sem saber o que são arrepios de acúcar...

Como eu a consigo ler, aceito e retribuo os beijos

Manuela Baptista

Mrs. Sea disse...

Susana, amiga,
Sei que não tenho sido tão presente como gostaria... Mas depois de ler este texto disse para mim mesma: eu tenho de lhe dizer algo!
Nos últimos tempos tenho andado ausente... à procura de mim mesma... eu sei que este meu "problema" não é nada comparado com o teu! Eu sei o que é isso, não na minha pele, mas muito próximo de mim...

Amiga, apesar de tudo, eu continuo contigo... continuo a acreditar por ti e a ter fé por ti! Mesmo sem estar tão presente como gostaria, quero dizer-te que estás sempre no meu pensamento e coração...

Desculpa o meu silêncio...

jorge henriques disse...

Olá Susana
Espero nâo incomodar o sono ,eu sei que nâo sâo horas para visitar a casa de ninguem ,mas decerto que me desculparás a ousadia....
Eu e todos que por aqui passam seremos sempre leitores atentos e quero deixar claro que se alguma vez nâo gostar do que ler escreverei a dar conta do sucedido,OK?
Deixo umas saquetas de chá verde para acompanhar as torraditas ,ok?
E uma acelga para fazer um sumito(gostos gastronomicos do amigo André Moa) espero que seja do agrado.
Como eu percebo essas palavras ,mas devo dizer que nâo existe manual dos sentimentos e por essa razâo há quem ame e cuide mas tem dificuldade em exprimir esses sentimentos ...
Bom ,vamos lá a ARREBITAR (GOSTO DESTA PALAVRA) ,
UMA BOA SEMANA
abraçâo apertado
jorge

sideny disse...

Olá Susana

Eu virei sempre ler o que escreve.

Venho lhe deixar um beijinho
Vamos a arrebitar.


beijinhos e tudo de bom

. intemporal . disse...

.

Aos poucos tudo voltou a fazer sentido.

Renascido das trevas,
a luz impôs a presença
e patenteia o caminho que perpetua o existir.
Ele está aqui
agora com mais pedras,
que guardarei todas
para construir um castelo
rememorando o poeta.

Aos poucos o dia alcançou a força exposta em resumo para não mais terminar.

O tempo transporta horas apressadas
ao ritmo de outrora
e revela a vida
no despertar quotidiano,
inevitável, imperativo.

Aos poucos o futuro é novamente abstracto, sem horizonte.

Imprescindível na mente
Onde o que foi ausente
agora é defronte,
permanente e presente.

Aos poucos o sorriso sustenta o sonho que conduz a essência ao peito.

Confesso-me grato ao efémero
que oculto cegou o resguardo
e o respeito por mim
que agora recupero aos poucos
à integridade,
socorro o corpo sem corpo,
incorpóreo
e a alma pode finalmente voar.

. Retorno In.corpóreo . 2008 .

. este foi o meu primeiro poema após a #sentença#, adiada por tempo in.determinado .

. como um corredor . de interna dor .

. um beijo abraçado, Susana .

. sempre e para sempre,,, .

. paulo .

Carecaloira disse...

Um beijinho e um xi apertadinho.

Brancamar disse...

Querida sobrinha,

Que as melhoras continuem e este sol de Outono te restitua as forças necessárias a uma boa e rápida recuperação.

Beijinhos mil.
Tia Branca

Filomena disse...

Susanita!


Porque tens muita razão no que dizes( toca a marchar) amanhã vou passar o dia com o meu Pai e vou SER FELIZ.


Um grande beijinho


Filomena