quinta-feira, 12 de agosto de 2010

COISAS QUE NÃO SE DIZEM

OS “SES”

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Hoje acordei mal disposto e apetece-me desopilar… Se não quiserem não leiam.

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Aqui vai:

Se há coisa que me irrita solenemente é o dizer-se “ai se tivesse ido mais cedo”, “ai se”… isto e aquilo…

Irrita-me ainda mais quando esses “ses” são directamente dirigidos a pessoas gravemente doentes e debilitadas…

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Antes de vos contar o aconteceu gostaria que soubessem que o cancro da Susana foi diagnosticado quando tinha um diâmetro de cerca de meio a um centímetro: uma manchinha.

Quando tive o enfarte agudo do miocárdio tinha acabado de fazer os diversos exames e analises tidas por convenientes e nada se notou…

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Agora atentem:

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Na freguesia onde nós morávamos, habita também e ainda uma senhora que conhece a São, minha mulher, desde a primária. A mim, viu-me várias vezes… Não me conhece nem sabe, ao que penso, quem sou, nem de onde vim.

Num dos intervalos dos tratamentos da Susana e por que ela estava um pouco melhor depois de passar a “ressaca” a seguir ao tratamento, fomos os três à missa do sétimo dia por alma da mãe da nossa comadre que ocorreu na igreja do Convento da Rainha Santa. Não tínhamos ido ao funeral, por ter ocorrido numa das fases piores que a nossa comadre sabia e acompanhava e por que esta fez tudo por tudo para que ninguém nos informasse.

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Pois no final da missa essa senhora, vira-se directamente para a Susana e diz-lhe: “se tu tivesses dinheiro ias a Pamplona fazer tratamentos”. “O A. (individuo muito conhecido, pelo seu feitio, em Coimbra) foi lá fazer tratamento”.

Claro que a Susana reagiu mal, bloqueou o número de telefone dela e nunca mais a quis atender. Eu fiz mais ou menos a mesma coisa. O Sr. A.., faleceu, lamento, pouco tempo depois.

Claro que no dia seguinte, lá estávamos nós a falar com o Dr.”Rezinga”.

Contamos o que se passara e não foram precisos muitos pormenores: “ É fulano. Já fez fita aqui e nos HUC. Deixem-no ir. Quando acabar o dinheiro da MÉDIS ele volta.”

“Mas vale a pena ou não?”. “Eu acho que não, mas se quiserem podem ir. Os tratamentos que fazem lá são exactamente iguais aos que fazemos aqui. Nisto não há quintinhas. As informações são disponibilizadas para todo o mundo.”

Claro que seguimos o conselho do nosso amigo médico. O único tratamento que não estava disponível, ele conseguiu-o, e não resultou (Yondelis).

É um produto que resultou do trabalho de investigação de precisamente dois espanhóis, efectuado há cerca de 20 a 25 anos. Não foi feito mais nenhum, pelo menos não o encontramos.

Note-se que o cancro da Susana, tem uma incidência de menos de 2% (dois) a nível mundial. Com esta percentagem não dá lucro…

Mas, “se tivesse dinheiro” ter-se-ia tratado em Espanha…

E o paizito não o arranjava? …

Não digo mais nada. Tirem a ilações…

Um Abraço

O pai Bártolo

7 comentários:

BRANCAMAR disse...

Pai Bártolo,

Há sempre esses espertos com uma enorme falta de sensibilidade e ignorância, porque quem esteja minimamente ligado às áreas de saúde sabe que temos cá tudo igual e do melhor e temos especialistas de renome internacionl. O próprio Salvador, cujo blog a Susana visitava tinha um médico que estava em contacto com um colega em Londres, trocavam opiniões e acabou por nunca ir ao estrangeiro, não tinha problema algum em gastar fortunas e não o fez.
O Dr. Sobrinho Simões do IPATIMUP, aqui no Porto, é dos maiores especialistas europeus em investigação na área, o centro é dos melhores a nível europeu e é para lá que são encaminhados muitos exames histológicos, dos mais complicados.
Não é necessário mesmo recorrer ao estrangeiro e se alguma vez o é os próprios médicos encaminham.
Já houve tempo em que isso acontecia, o próprio estado pagava as viagens, eu própria trabalhei num sítio que tratava esses processos, mas isso foi há 30 anos, hoje os nossos centros têm tudo que é preciso.

Não liguem a "bocas foleiras" de gente mal formada.

Deus sabe que fizeram tudo que era possível fazer.

Beijinhos
Branca

Gigi disse...

Se ter dinheiro ou influência fosse sinónimo de cura, o António Feio, por exempl, e outros não teriam falecidos.

Não ligue, são pessoas estupidas.

Um abraço.

sideny disse...

Olá Sr.Bártolo

Quando as pessoas sâo estupidas, e mal formadas dizem parvoices, faziam melhor figura se tivessem caladas.

Beijinhos

Xanfrada disse...

Olá
Obrigado a todas pela compreensão e desculpem o meu desbafo.
Isto é apenas um exemplo das várias situações por que passamos. Mais valia estaram caladas.
Beijinhos
O pai Bártolo

Anónimo disse...

Qual é o pai e mãe que não faz tudo para salvar um filho,até dá a própria vida.
EMFIM à sempre quem diga disparates.
Desculpe de me intrumeter mas não pude deixar de intervir.
Um abraço.
Felis

... disse...

Olá.
Ainda não me tinha pronunciado, e só bem à pouco tempo é que descobri o vosso blog, através do blog da Gigi.
O meu nome é Silvia, e estou em remissão á 3 anos de um linfoma de hodgkin. E na altura que adoeci, fizeram o mesmo, falaram de Espanha, e aborreceram em muito quem me acompanhou, pois andavam confusos e não sabiam o que fazer, dado que queriam o melhor para mim. Falaram com os médicos, e com um que é nosso amigo, e disseram-nos o mesmo, se os tratamentos não existissem cá, seriam os primeiros a enviar o paciente para outro país. Eu, só tenho a agradecer o tratamento que tive e tenho nos hospitais em que sou seguida, Egas Moniz e São Franscisco Xavier, ambos públicos.
E muito sinceramente, hà comentários que temos é de ignorar, pois não são importantes.
cumprimentos. Silvia

Xanfrada disse...

Olá aos dois anteriores:
Pois é verdade: sempre fui ensinado, pelos caminhos que percorri que ser pai era mesmo isso, se for preciso, dá a vida pelos flhos. Olhem a minha foi poupada, cada vez estou mais convencido disso, para poder cuidar da minha filha e minimizar-lhe o sofrimento. Talvez não o tenha conseguido, mas tentei.
A Silvia percebe melhor que ninguém o que significam comentários daqueles. Nós confiavamos nos médicos que a estavam a seguir e por isso não liguei muito, mas que fez mossa fez. Ainda por cima é uma pessoa que se arroga de ser muita caridosa. Só que ainda a mão direita não deu nada e já as esquerdas todas apregoaram o feito aos quatro ventos.
Olhem...Beiginhos e abraços
O pai Bártolo