domingo, 18 de julho de 2010

RESUMO (3)

Para não se tornar ainda mais pesado, hoje deixo-vos só um bocadinho de RESUMO

VEREDICTO

...

Entretanto o meu pai tivera nova consulta de cardiologia, em que afinal tudo se revelava normal. O processo de adaptação a uma máquina que tem um eléctrodo enfiado no fundo do ventrículo não é coisa para cinco minutos. Mas era só uma questão de tempo. Hoje em dia faz praticamente tudo, mais devagar, e provou aguentar choques valentes.

E entramos em Dezembro. E eu sem conseguir ir para a hidroginástica! E vou esperando pelos resultados da biopsia.

Sou convocada para uma consulta no hospital. Dia 12 de Dezembro, a doutora A.F., com um ar muito querido e simpática, disse as palavras que mudaram oficialmente tudo.

O resultado da biopsia indicava que era maligno e difícil de identificar. Não era de pequenas células, aparentava ser de dois tipos, mas a patologia continuava a tentar identificar. Mais tarde vim a saber que era bastante raro, ocorria em cerca de 1%, e raramente no pulmão como origem. O meu caminho poderia passar por fazer quimioterapia ou radioterapia para reduzir o tumor. O problema era a localização dele e a velocidade a que ia e estava a avançar depois de “atacado” por uma biopsia de lâminas na broncofibroscopia.

A doutora A.F. explicou-nos que o melhor seria avançar rapidamente para a cirurgia, até porque o tipo de tumor identificado até àquele momento não reagia assim muito bem á radioterapia. Basicamente, não havia tempo para isso.

A minha mãe esperava que o resultado fosse aquele. O meu pai saiu porta fora a chorar, revoltado com o mundo, e quando voltou pediu desculpas, obviamente. Mas os médicos estão mais que habituados a isso.

Fiquei de rastos, embora já andasse a convencer-me do diagnóstico.

No dia anterior, segunda-feira, era hábito almoçar com a minha amiga Teresa. O seu filhote fazia oito anos nesse dia. Todas as segundas-feiras íamos almoçar piza. E fomos. A dada altura falámos do assunto e eu disse á Teresa que estava a contar que fosse má notícia. Ela não queria que fosse, e disse-me que não, que era eu a matutar no assunto. Mas lá que estava preocupada estava sim. E a notícia foi mesmo má.

Nessa segunda-feira chovia bastante á tarde. Ainda passei pela Loja do Cidadão. Tinha de renovar o Bilhete de Identidade, valia mais fazê-lo o mais rápido possível, no dia seguinte podia ter notícias que me virassem a vida de pantanas. Tirei umas fotos magníficas numa máquina expresso, tratei da papelada e renovei o meu BI, sem alterações, com dois pulmões e cabelo comprido, imagine-se. Já fiz cópias daquela foto tipo passe, pois são as mais decentes que tenho para algo mais oficial.

Bem, regressando ao dia do veredicto. A seguir á reunião com os meus queridos médicos A.F. e F.B., fui logo encaminhada para tratar de todos os exames relacionados com a capacidade cardíaca e pulmonar. Picadelas para um lado, sopradelas para o outro. O processo foi avançando. Tudo o que devia fazer para a equipa de cirurgia avaliar mesmo á séria, foi feito logo. Fiquei impressionada. E eles também. Tinham á frente uma pequena mulher de 36 anos. Também não era fácil para eles.

Acabei por ser considerada urgência, dado o estado do meu brônquio esquerdo e crescimento do tumor que estava “mesmo a passar das marcas”. Foi por pouco que fui aceite pela equipa para cirurgia, pois estava muito próxima dos limites. A cirurgia seria em breve.

Entretanto fui trabalhar mais uns dias, e deixar tudo orientado para a minha ausência.

...

Hoje é só isto

Um ABRAÇO

O pai Bártolo

5 comentários:

manuela baptista disse...

Pai Bártolo

é verdade, o universo não é ético
nem tão pouco, justo!

somos uma sua pequena parte, tantas vezes pouco ética muitas outras, tão injusta

e é porque ando por aqui,

porque o silêncio é contagioso,

que me dou conta do tanto que possuo e de quanto mal agradecida sou!

as pessoas saudáveis, deveriam ser obrigadas a cantar um hino de alegria todos os dias das suas vidas

a pararem 5 minutos em cada 60 e olharem o céu, porque é azul

a inspirarem o vento, porque é fresco

a pisarem o chão, porque é terra

a darem um beijo a um amigo porque está vivo!

andamos apressados e distraídos e apenas quando descobrimos a efemeridade e fragilidade humanas nos assustamos e dizemos "meu Deus..."

não sei explicar o que sinto quando leio este testemunho da Susana

este seu cântico de despedida à filha amada, esta generosidade de pai que constroi um hino de amor

mas

um dia

terminados os escritos e o luto, vai ter de lhe dizer adeus, deixá-la habitar esse misterioso lugar, essa casa que, eu acredito, Deus tem reservada para cada um de nós e onde não faltará jamais o pão e a alegria

o pai Bártolo e a sua mulher seguirão sempre para a frente, encontrarão os vossos propósitos, desejos e esperanças

porque disso e muito mais são merecedores

espero não o ter magoado, porque se sou saudável, já perdi muitas pessoas que amava e sei do que falo e do que isso custa...

quem sabe um dia, possa ter um blogue chamado "Bártolo" e com as histórias que nos conta, vai ter imensos seguidores e amigos! pois não é isso que vale a pena?

um grande abraço

de quem comovidamente lhe reconhece a coragem

Manuela

Anónimo disse...

Manuela
Está completamente à vontade para nos dizer o que sente e entende. Não tenho o dom da escrita e por vezes saem coisas que, se calar, não deviam. Nisso a Susana era igual a mim e sofreu consequências, como eu sofri, mas o que há para dizer, diz-se... na cara.
Também sei que um dia terei que terminar, pois os escritos "publicáveis" da Susana não são muitos. Há outros que pura e simplesmente não vou publicar.
Nós procuraremos seguir em frente no pouco tempo que nos resta e sem objectivos definidos, mas tem que ser. Aliás, é por andarmos um tanto ocupados nisso que não aparece mais vezes, por que também o cansaço regressou e tenho que o tratar.
Está a ver já estou para aqui a escrever coisas sem nexo.
Desculpe o desabafo e obrigado pelo insentivo para um blogue, mas... talvez não.
Beijinhos
O pai Bártolo

sideny disse...

Olá Sr Bártolo

Imagino como deve ser doloroso para si escrever estes texto da Susana.

Ela esta a descansar ,e em paz,e a nâo ter o sofrimento que a consumia e a si e a sua esposa a ve-la a sofrer daquela maneira.

Desculpe o meu coméntario se o magoei, mas embora nunca tenha feito quimioterapia, sei o que é receber uma sentença dessas, por muito que nos mentalizemos para o pior, o châo foge-nos debaixo dos pés .

Desejo-vos tudo de bom para si e sua esposa, e força para continuar a vossa vida.

Anónimo disse...

Olá Sideny
Gostamos imenso de a ver por cá e não tem que pedir desculpa.
O sofrimento, como calcula, mora cá e tarde desaparecerá, se dsaparecer. Por isso é importante o apoio dos amigos, mesmo daqueles que não se manifestam, como a Sideny muito bem sabe.
É preciso passar-se pelas situações para se perceber isso.
Os textos, pelo menos esta parte, ainda foram escritos pela Susana. Eu limitei-me a revê-los ortogràficamente, o que ela não tinha feito, mas é claro que custa...
Beijinhos nossos
O pai Bártlo

BRANCAMAR disse...

Olá Pai Bártolo,

Peço desculpa pela minha ausência nestes textos, nesta semana, mas hoje vou lê-los todos a partir daqui do 3. Aliás já tinha lido este, alterações na minha vida não me têm possibilitado escrever muito à noite.
Vou escrever-lhe a explicar melhor.
Quero seguir estes passos todos nda SUsana e mais uma vez sinto ao ler que estou a aouvir aquela sua vozinha tão meiga.
Fico a aprender com ela, como a vida é verdadeiramente injusta para alguns, em determinados momentos e como diz a Manuela, é preciso que saibamos dar graças a Deus pelo que temos.
Vou passar ao resumo seguinte.
Beijinhos
Branca