domingo, 16 de maio de 2010

SOLIDARIEDADE...

Domingo, 16 de Maio de 2010

SOLIDARIEDADE, DESCARAMENTO OU OPORTUNISMO

Só para que conste, e estas coisas surgem aos poucos, vou referir uns eventos relacionados com solidariedade.
Durante o longo período da doença da Susana, como já referi, houve necessidade de adquirir diverso material hospitalar, desde a cama, às cadeiras e outras coisas.
Na primeira vez que foi preciso usar uma cadeira de rodas, dirigi-me ao C. S. de S. Martinho do Bispo pedir que me emprestassem uma, onde sabia existirem. Foi-nos posta à disposição acabando por não ser precisa. Contudo, quando estava a falar no assunto com uma funcionária, apareceu uma outra iluminada, ao que julgo saber, responsável pelas compras ou coisa assim, que sem que ninguém lho perguntasse atirou para o ar: “Se quiser que a cadeira seja comparticipada, terá que apresentar três orçamentos”. Resposta imediata: “ó minha senhora, acha que por 200 euros vou andar a pedir orçamentos? Fique lá com a ajuda e entregue-a a quem nunca fez descontos…”
Já no outro hospital, onde foi assistida, foram-se conhecendo diversas pessoas com quem se desabafava. Assim, veio à baila a necessidade de ter em casa uma cama hospitalar. “Se quiserem podem levar uma daqui, das que foram substituídas por novas. Só têm que arranjar transporte”. Sabia que a Susana não gostava daquelas camas, agradeci e rejeitei. Poucos dias antes do falecimento que ela, tal como nós, sabia que estava para breve, em conversa casual: “olhe, depois, posso receber as cadeiras e outros objectos para as oferecer a quem precisar.” Desculpe, mas já têm destino. Muito obrigado pelos 60 euros de oferta da Liga, mas se quiser devolvo-lhos.
Lembram-se daquela administrativa do C.Saúde que não sabia tratar das receitas do oxigénio líquido e nem se importou em resolver o problema?
Pois, passado algum tempo do óbito tive que voltar lá. “Olhe, eu imagino que não vão querer ficar naquele apartamento, podiam alugar-mo”. Não, não alugamos. Vamos despejá-lo para vender. “Então se quiserem eu aceito tudo desde mobílias, até roupas e outras coisas…” Santo Deus…Imaginem só… “Ó dona G. deixe lá, não se preocupe que sei muito bem qual o destino que hei-de dar às nossas coisas, mas de certeza que não serão para si.
Com amigos destes…e com esta solidariedade não vamos longe.
Claro que algumas coisas já foram doadas a uma instituição de que os três somos sócios. Outras precisam ainda de ser escolhidas para isso.
Obrigado por me aturarem. O pai Bártolo

2 comentários:

Brancamar disse...

Pai Bártolo,

Infelizmente as pessoas nao têm formação adequada, nem são devidamente escolhidas para estarem no atendimento público, o que faz com que aqueles que ainda vão sendo responsáveis nestes serviços se envergonhem com este tipo de coisas.
Compreendi muitas vezes e continuo a compreender a vossa revolta pela falta de sensibilidade e por situações tantas vezes desnecessárias, por falta de informação dos próprios funcionários, mas infelizmente a eficácia dos serviços de saúde ainda não chegou a todos os lados, embora conheça por aqui alguns que são considerados exemplares. Nem tudo é mau, valha-nos ao menos isso.
Fiquem bem.
Um beijinho
Branca

sideny disse...

Sr Bártolo

Parece que escolhem a dedo as pessoas para ocuparem esses lugares de atendimento ao público.

A uns tempos atras tive de arranjar os tais 3 orçamentos para uns oculos e quando fui lá pediram-me um 4 orçamento para que me pudessem ajudar com os oculos.

Enfim....

beijo