sábado, 29 de maio de 2010

ESPERTEZA ASININA

TUDO UMA QUESTÃO DE ESPERTEZA ASININA

Os animais são espertos, mesmo os burros, senão vejam:
Quando eu andava pelos meus dez anitos, fui com uma cunhada minha levar uma irmã dela que, sendo professora de escola primária, fora colocada numa escola de Santulhão, bastante longe de Tó, a nossa terra.
Nessa altura não havia automóveis, disponíveis e os “carros de aluguer” eram escassos.
Não havia igualmente estradas e os caminhos não passavam de carreiros, muitas vezes enlameados.
A ida de carro, se o houvesse, daria uma volta de várias dezenas de quilómetros. Por isso, o meio de transporte mais rápido e adequado eram os animais.
Assim, bem cedo de um dia que alguém determinou, lá vai o puto de 10 anos armado em protector de duas senhoras.
Lembro-me que de Tó fomos direitos a Sanhoane, talvez pela serra da Castanheira, por carreiros de cabras, passamos o rio angueira (?) até que chegamos a Santulhão, já no concelho de Vimioso.
Descarregados os pertences, toca de montar nos dois burros ou burras, para o regresso a Tó, pelo mesmo caminho.
Noite escura como o breu, os burros sem luz e nós sem uma simples lanterna, não se via nada à frente do nariz.
A determinada altura o caminho abria-se em dois. A burra, mais esperta que nós, queria seguir pelo da esquerda. A minha cunhada insistiu: “não é por aí, vai pelo outro”. E fomos, só que passado um bom bocado chegamos a uma aldeia que não estava ou devia estar no percurso e cujo nome já não recordo. Já perto da meia-noite, vimos luz numa casa e batemos à porta.
À boa maneira transmontana esta abriu-se e, explicada a situação, foi-nos dada alimentação e abrigo. No dia seguinte continuamos…
Então os burros não são espertos, mesmo puxando para a esquerda…
Tudo isto me veio à memória por que tenho andado a espiolhar os blogues lá da terra e tenho visto alguns escritos acerca dela com bastante interesse.
Muito obrigado ao meu “amigo” do mogadoyro, isto é para si, por me ter feito lembrar a minha infância.
O pai Bártolo

1 comentário:

Brancamar disse...

Também gosto destas histórias e de o ver aparecer por cá, agora vou à seguinte, às travessuras da Susana.

Beijinhos para si e para a esposa.
Da amiga Branca