segunda-feira, 3 de maio de 2010

Apresentação

Segunda-feira, 3 de Maio de 2010

Apresentação

Desculpem-me os caros blogers por não ter começado por me apresentar.
Sou o pai da Susana Bártolo. Apesar de já não ser jovem estou agora e entrar nestes circuitos da NET um tanto forçado pela herança que acabei, involuntariamente, por receber. Quando ainda trabalhava, há cerca de doze anos, nos “meus” serviços ainda se usava o sistema DOS que, apesar de tudo, já era um bocado diferente de fazer um relatório de cerca de 200 páginas numa messa ou remington… Os tempos mudaram e tudo foi modernizado e ainda bem, nalgumas coisas... Pois, como ía dizendo, agora fui forçado a mexer nestas coisas de que tentei fugir.
Como devem saber a Susana escrevia muito. Deixou alguns documentos Word com palavras-chave, que já consegui decifrar. De outras coisas deixou todos os acessos num livrinho que escreveu para os seus pais.
Ela sabia, tal como nós, de tudo e todos os passos que teria que percorrer. O seu estado foi-se degradando de dia para dia, começando pelo andar, depois o simples respirar e outros movimentos. A partir de 24 de Fevereiro, passado, o seu estado agravou-se visivelmente, uma vez que o dito cujo subiu ao cérebro alternando o seu estado com momentos de lucidez e outros em que estava toda baralhada.

A propósito de “respirar” um destes dias informarei o que se passou com a prescrição do oxigénio liquido, pelo menos, para que sirva a outras pessoas. Fizemos o que podíamos e sabíamos. Quando isso não acontecia, informava-me. Sabíamos exactamente que o desfecho seria o que ocorreu a 10 de Março, mas mesmo assim não desistimos. Na última vez que a mudei da cama para cadeira, fiquei a saber que a Susana não regressaria. Os seus fraquinhos braços já não conseguiram segurar-se no pescoço do "paizito" para, com o auxilio de um transfer, executar aquela manobra. Além do mais, essas coisas sentem-se…
Mas, voltando a traz, levei o portátil da Susana à “Clínica”, informaram-me que o problema não era grave e já está reparado. Espero que nada se tenha perdido do que ela escreveu. Vou ver e depois partilharei tudo com todos os que foram seus amigos e a ajudaram a suportar todo aquele sofrimento.

Com o que deixo dito não quero nem desejo que me julguem um herói. Fizemos o que quaisquer pais fariam. É a nossa obrigação. Foi o que me foi ensinado há muitos anos. Agora não sei como é, não sei muito bem viver com estas "amplas liberdades". Desculpem o desabafo. OBRIGADO. O pai Bártolo

2 comentários:

manuela baptista disse...

Pai Bártolo

a liberdade de fazer tudo pelos filhos

continua intacta, para quem os ama

não tem antes
nem depois
é eterna!

um abraço

Manuela

Brancamar disse...

Em 24 de Fevereiro fez anos a minha filha e eu estava com ela no Alentejo a acompanhá-la numa tentativa de emprego, a 25 cheguei a casa e tinha uma carta da Susana que para mim era sinal de melhoras e que foi uma boa surpresa, mas infelizmente enganei-me! Pensei responder de imediato, mas telefonei-lhe a 26 e notei-a já cansadita...afinal tudo se precipitou logo aí nesse fim de semana...
Voltarei sempre aqui Sr. Bártolo para ler todos os escritos da Susana que entender publicar e estarei sempre ao vosso dispôr.
Ela estava a pensar numa surpresa, dizia...eu penso fazer-lha um dia destes, acho que era isso que ela finalmente queria, apesar de até aí sentir que preferia que nunca a visse doente e afinal nunca a verei doente porque sempre vi mais a jovem cheia de sonhos, a jovem lutadora, apesar de realista e esclarecida, a jovem que só nos últimos tempos falou mais da doença, mas de forma sempre tão diferente, tão digna, a sua forma única de tratar as coisas e a vida.
Com amor para ela, para vós, com quem me apeteceu estar hoje todo o meu serão.
Branca