quarta-feira, 22 de julho de 2009

Terceira Fase - Ciclo 1

Manhã de 22 de Julho


Ontem tive alta pelas 15h30, e ainda direito a beijinho de despedida da minha querida Enfermeira Carla.

Até este momento não estou mal disposta.
Tenho de fazer o esforço de não enjoar a sopinha, senão…quem paga são os intestinos que pouco funcionam, apesar dos quilos de fruta e vegetais, lactuloses e afins. Tanta coisa os ataca que nem sei como não foram de férias.

Desta vez o tratamento foi mais fácil. Durou cerca de 25 horas. Dei entrada pelas 11h00 da manhã, mas o protocolo só teve início pela tarde. Isto deu direito a uma só noite de internamento e poucas refeições.

Como estou bastante limitada, tomei banhoca antes de ir e depois quando voltei a casa. Não andei a espalhar mau cheiro, hi hi.
É que sou esquisita com os wc. Iria precisar de ajuda para o banho, e a enfermaria estava cheia. Optei (já antes de ir) por tomar em casa. Alivia imenso o esqueleto aquele duche. Mas isto de não me dobrar não dá jeito.

Não sei se recupero essa função ou se a medula ficou com danos irreversíveis. Não chegar aos pés limita imenso. Há variadíssimas coisas cá em casa arrumadas abaixo do nível dos joelhos e eu não tinha reparado. Mas fui eu que as arrumei lá! Agora…paciência. Vou tentar ajoelhar-me, se não conseguir de outro modo. Se não arranjar uma alternativa dou cabo da osteoporose da minha mãezita e das hérnias discais do meu paizito.

Vêem? Lá está o meu trauma de novo: eles não aguentam tudo. Tenho de me ver livre desta coisa, e o meu Doutor Rezingas puxa-me bem para cima.
Ele já reparou, e correctamente, que sou frontal. O que tem a dizer, diz-me, com o nome que tem, com a probabilidade que existe. Se fica em silêncio, ok, não vale a pena perguntar mesmo. E é assim que eu gosto.
Faz-me impressão ter um médico á frente que não nos diz a verdade, que tenta amenizar como se fôssemos tolinhos. Nós, os pacientes notamos e lemos nas entrelinhas. Desconfiamos e ficamos ainda pior. Se disser a verdade (o que deve ser dificílimo para um médico no caso de ser uma má notícia), dói dessa vez, mas depois a relação será mais fácil.

Sou da opinião de que não adianta possuir um grande génio científico e médico se a relação falhar com o doente. Sem comunicação, não há nada.
No início deste meu acidente de percurso, dei de caras com um grande médico do BCG que me tratou como uma coisa. Mandou-me fazer um TAC, que fiz, fui novamente a consulta, perguntei 4 vezes e educadamente o que se passava ou o que poderia ser e o que consegui saber foi que iria fazer uma broncofibroscopia, que nas palavras do distinto médico consistia em “enfiar um tubinho com uma câmara até aos brônquios”. Alto lá, pensei eu, vão mexer-me nos brônquios por quê?

Fui, e o resultado foi muito aborrecido. O exame não era tão fácil como ele tinha pintado, não devia ter ido sozinha…bem, assinei um termo de responsabilidade e não fiz o exame, ficando com a TAC em meu poder.

Fui a correr ter com o meu médico assistente e mostrei-lha, ou melhor, com o médico que trabalhava na equipa do meu médico assistente e me conhecia há 3 anos. Foi ele, que depois de me ter dito que não sabia tudo sobre o assunto, me explicou que parecia haver um tumor e devia mesmo fazer o tal exame, …mas foi ele que me explicou. O grande senhor doutor não soube fazer isso.
Foi, até hoje o único caso em que tal me aconteceu. A partir daí, só me calham os meus anjos (como lhes chamo).
Vamos ver se o meu sangue se aguenta (análises próxima semana) e se perco uns quilitos que estão a atrapalhar.
Vou ver se faço alguma coisa enquanto há efeito dos analgésicos. Estou meio-ganzada e sem dores. Sou oficialmente uma drogada autorizada.

Até mais logo.
*****

2 comentários:

jorge henriques disse...

Olá ,que bom já de volta .
Já estava para recorrer a outra forma de comunicaçâo hehe para saber novas, mas não foi necessário .Fico contente que tudo tenha corrido bem e agora há que consumir alimentos vegetais ( lá está ele armado em nutricionista) bom decerto que a Suzana saberá até melhor do que eu....
Sobre a frontalidade e a comunicaçÂO QUE deve haver entre doente e médico, eu tambem prefiro a frontalidade e a verdade, muito embora hoje reconheça que há noticias para as quais nâo estamos preparados, mas continuo apreferir a verdade embora ás vezes seja um pouco azeda mas nada como uma pitada de açucar para tirar o gosto...NAO EI O QUE SE PASSA O TECLADO ANDA-ME A COMER LETRAS SE CALHAR TENHO UM MONTRO DOS TECLADOS E NAO SABIA (HOJE ESTÁ DE TODO O TICO EO TECO FORAM DE FÉRIAS E DEPOIS É ISTO)
Continuaçâo de boa semana
abraçâo

Brancamar disse...

E cá venho eu atràs dos resilientes!
Já nem tenho coragem de dizer nada, porque não sei nadade resiliência.
Foi rapidinho o tratamento, ainda há pouco estava a pensar como estaria a Susana lá no hospital e a pensar o mesmo que o Jorge e afinal já estavas em casa.
Aquela máscara ali acima é muito jeitosinha sim senhor, muito fashion, talvez vire moda na fase má da gripe dos recos...
Pois não é preciso dizer-te para te portares bem Susanita, és uma rapariga de bom senso e bom humor e tens aqui um nutricionista de serviço :)
Devagar se chega ao longe, tu sabes...e não te preocupes tanto com os teus pais, por experiência própria e porque já passei 6 semanas no hospital com uma filha internada,a tempo quase inteiro, é só onde nos sentimos bem é onde vocês estiverem, onde formos capazes de dar tudo pelas vossas melhoras e cada passo que avançam é uma enorme alegria para nós, por isso deixa-os viver esses passos, é tudo quanto eles querem, sentir que te fazem o mais feliz que sabem e podem.
Como tenho andado com muito sonito ou tu muito inspirada, ainda tenho que me vir actualizar nos últimos episódios dos teus textos intratáveis.
Volto amanhã.
As melhoras.
Beijinho grande.
Tia Branca