domingo, 8 de fevereiro de 2009

História de uma rã de Olivier Clerc


Da alegoria da Caverna de Platão para Matrix, passando pelas fábulas de La Fontaine, o idioma simbólico é um meio privilegiado para induzir à reflexão e transmitir algumas ideias.

Olivier Clerc, o escritor e filósofo, nesta sua breve história (que me chegou por mail numa apresentação daquelas que todos nós recebemos), pela metáfora, põe em evidência as funestas consequências da não consciência da mudança que infecta nossa saúde, nossas relações, a evolução social e o ambiente.

Um resumo de vida e sabedoria que cada um poderá plantar no próprio jardim para desfrutar seus frutos.



“A rã que não sabia que estava sendo cozinhada.



Imagine uma panela cheia de água fria na qual, nada tranquilamente, uma pequena rã. Um pequeno fogo debaixo da panela e a água aquece muito lentamente. Pouco a pouco, a água fica morna e a rã, achando isto bastante agradável, continua a nadar.
A temperatura da água continua subindo. Agora a água está quente, mais do que a rã pode apreciar, sente-se um pouco cansada, mas não obstante, isso não a assusta. Agora a água está realmente quente e a rã começa a achar desagradável, mas está muito debilitada, então aguenta e não faz nada.
A temperatura continua a subir, até que, a rã acaba simplesmente cozida e morta.
Se a mesma rã tivesse sido lançada directamente na água a 50 graus, com um golpe de pernas teria pulado imediatamente da panela.
Isto mostra que, quando uma mudança acontece de um modo suficientemente lento, escapa à consciência e não desperta, na maior parte dos casos, qualquer reacção, oposição, ou revolta.
Se nós olharmos para o que tem acontecido em nossa sociedade, durante algumas décadas, podemos ver que nós estamos sofrendo um lento modo de viver ao qual nós nos acostumamos.
Uma quantidade de coisas que nos teriam horrorizado há 20, 30 ou 40 anos atrás, foram pouco a pouco banalizadas e hoje elas perturbam ou apenas deixam completamente indiferente a maior parte das pessoas.
Em nome do progresso, da ciência e do lucro são efectuados ataques contínuos às liberdades individuais, á dignidade, á integridade da natureza, á beleza e á alegria de viver, lentamente mas inexoravelmente, com a constante cumplicidade das vítimas, desavisados e agora incapazes de defender-se.
As previsões para nosso futuro, em vez de despertarem reacções e medidas preventivas, não fazem outra coisa a não ser a de preparar psicologicamente as pessoas a aceitarem algumas condições de vida decadentes, alias dramáticas.
O martelar contínuo de informações dos média satura os cérebros que não podem distinguir mais as coisas...
Quando eu falei pela primeira vez destas coisas, era para um amanhã. Agora, é para hoje!!!
Consciência ou cozinhado, precisa escolher!
Então... se você não é, como a rã, já meio cozido, dê um golpe de pernas, antes que seja muito tarde.
NÓS JÁ ESTAMOS MEIO-COZIDOS? OU NÃO?"



4 comentários:

jorge henriques disse...

Olá primeiro que tudo uma boa noite e que esta semana que por aí vem seja menos humida, espero sinceramente que se aviste o sol brevemente ,pois estou mesmo a precisar dessas radiaçôes hehehe.
Em relaçâo aos escritos que estâo no sotâo da casa ,foram por mim lidos logo que por aqui cheguei , é certo que estou de novo a revê-los e ainda nâo abalei a correr pela rua abaixo hehe
Quanto aos batráquios da história o meu receio é que de repente acordem da letargia e deitem a panela ao châo queimando os que traziam a agua e a lenha.....
Se for semana de SPA espero que corra tudo bem ,TÁ?
abraçâo
jorge

Carecaloira disse...

Aguenta-te miuda!!Dentro em breve mais um SPA terá terminado.
Gostava de te ir ver mas já percebi que não é de tua vontade, por isso deixo-te aqui um abraço bem apertado e mil beijocas.

Marina

Brancamar disse...

Susanita,

Vou passando por aqui todos os dias, cheiinha de sono que nem dá para escrever, pois desde o primeiro dia senti que esta história das rãs tinha tanto para dizer sobre habituações, acomodações, normalizações, etc. que não se compadecia com um comentário frouxo, de pestanas a cair...mas volto, espero que amanhã mais cedinho e também espero que te estejas a aguentar bem.
Beijinhos.
Tia Branca

Liliana disse...

Olá, já não +e primeira vez que por aqui passo, nem esta será a última.

Também eu gosto da tua escrita, tem garra, tem alma, tem um não sei quê, que me encanta.

Mas nunca tinha comentado, hoje resolvi fazê-lo. Antes do meu bicho aparecer eu sentia-me precisamente como a rã, sem forças sequer para argumentar, fui sendo cozida.

Vamos ver se depois do bicho consigo dar o salto...

Beijinhos e força!!